Quais são os custos de empreender e abrir uma empresa?

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Quando se pensa em abrir uma empresa, a primeira questão que surge na mente do empreendedor é em relação aos custos para materializar o negócio, ou seja, qual é o valor necessário para colocá-lo em operação de forma regular e consistente.

É importante ter consciência de que as respostas para essas e outras perguntas variam conforme o tipo de empresa e o seu enquadramento. Embora empreender seja uma possibilidade para todas as pessoas, é fundamental conhecer melhor os custos envolvidos nessa jornada e as variáveis capazes de impactá-los, a fim de aumentar as chances de sucesso.

Isso permitirá que você planeje suas ações, evitando surpresas desagradáveis e problemas durante a fase de consolidação da empresa. Justamente por isso, preparamos este artigo abordando a questão dos custos de empreender, para que tenha mais segurança e preparo nessa tarefa. Acompanhe!

Qual é o perfil ideal de um empreendedor?

Evidentemente, conhecer os custos de empreender é um fator determinante para se alcançar o sucesso. Porém, existem outros pontos indispensáveis, como é o caso do perfil do empreendedor. Por esse motivo, antes de abordarmos a questão dos custos, é essencial reforçar o diferencial que alguns atributos e certas características têm nessa jornada.

Como foi dito, embora o empreendedorismo seja democrático e possível a todos, alguns atributos se tornam desejáveis nessa hora. Empreender exige não só conhecimento técnico e habilidade com dados estatísticos e números, mas um perfil dotado de características como:

  • resiliência;
  • proatividade;
  • humildade;
  • engajamento;
  • disposição;
  • motivação;
  • persistência.

Esses são alguns dos pontos fortes que empreendedores de sucesso carregam em seu perfil. São características fundamentais para um jornada mais simples e promissora, por isso você precisa desenvolvê-las.

O que considerar antes de abrir uma empresa?

Abrir uma empresa envolve uma série de questões que precisam da atenção do empreendedor e que vão além dos custos imediatos de empreender. Veja os principais pontos a serem analisados a seguir.

Analisar o mercado e a si mesmo

Um primeiro ponto a ser avaliado ao abrir uma empresa é a análise de mercado: será que a sua ideia de negócio está inserida em um ambiente favorável? O timing do mercado indica ser o melhor momento para ações dessa natureza? Ou será que é melhor esperar?

A análise de mercado é fundamental por uma série de questões, entre elas:

  • permite compreender o seu público-alvo;
  • possibilita analisar quais são os principais erros realizados por empresas do setor no momento e evitar essas questões;
  • faz com compreenda quais são as demandas na sua região;
  • auxilia no entendimento de quais são os pontos fortes e fracos da área na região e de que forma o seu negócio pode se inserir positivamente nesse contexto.

Além disso, tem outro fator que merece atenção: conhecer sobre si mesmo. A área na qual deseja investir é, de fato, compatível ao seu perfil? Observar essa questão é fundamental para não entrar em áreas em que seja complicado atuar de forma eficiente.

Por exemplo, se você tem um perfil conservador para investir, abrir um negócio de alto risco pode ser incômodo ou, então, provocar problemas no seu dia a dia, pois não saberá como administrar problemas inerentes de uma empresa com perfil mais arrojado.

Assim, potenciais falhas, mesmo sendo pequenas, podem gerar prejuízos diversos no seu dia a dia. Portanto, analise: a área que quer investir está realmente de acordo com o seu perfil?

Entender que empreender é mais que abrir uma empresa

Outro ponto que precisa estar claro ao futuro empresário: empreender é algo maior que apenas abrir um novo negócio, indo além de abrir portas. Essa talvez possa ser a parte mais fácil, contudo, é apenas o começo.

Manter o negócio vivo, gerando inovação, garantindo a lucratividade e reduzindo os prejuízos é, dessa forma, a etapa que merece total atenção, de modo a permitir a sua longevidade no dia a dia. Isso é fundamental para ser possível superar o “vale da morte”, ou seja, o momento no qual boa parte dos negócios está mais suscetível a fechar, que normalmente é após os primeiros dois anos de existência.

Portanto, sempre tenha uma visão de médio e longo prazo. Não fique preso no momento atual. Com isso, você identificará o ponto no qual sua empresa está começando e o caminho que deseja traçar para o sucesso dela.

Além disso, entenda: seu negócio faz parte do ecossistema local. Dessa forma, ele contribui para contratação de pessoas, movimentação da economia, injeção de dinheiro nos negócios locais, entre outros. Diante disso, é possível ter uma visão consistente do papel dele no seu dia a dia.

Manter-se no páreo é tão importante quanto o resto

Muitos empreendedores pensam que entrar no páreo é a parte que exige mais atenção e relaxam após a abertura. Contudo, é preciso manter a energia do período inicial para se sustentar no mercado. Isso porque a maioria das empresas lida com um crescimento inicial exponencial e, posteriormente, ele não se sustenta.

Diante disso, é fundamental que os gestores estejam atentos para que seja possível gerar aumento de rentabilidade, de forma sustentável. Portanto, mantendo-se com o passar dos anos e minimizando as chances de esbarrar em problemas no futuro.

As decisões tomadas devem estar direcionadas, assim, para médio e longo prazo. Não pense apenas nos próximos seis meses, mas também nos cinco anos seguintes, por exemplo. Analise quais são as métricas que merecem atenção, defina metas consistentes e escalone o crescimento temporal.

Além disso, precisamos reforçar a necessidade de monitoramento contínuo dos resultados. Apenas assim você saberá se há consistência ao longo do tempo ou, então, se há a necessidade de rever os planos e as métricas para adequá-los aos novos cenários.

Por exemplo, uma medida tomada para impulsionar resultados nas vendas em longo prazo pode não ser mais tão vantajoso, sendo necessário reaver essas questões no futuro. Portanto, não perca o fôlego, nem o foco. A solução é implementar uma gestão de resultados eficiente.

Saber que sociedades é um assunto sério

Esse é outro ponto de extrema importância: a constituição das sociedades. Em primeiro lugar, é fundamental porque será necessário definir o tipo societário do seu negócio e definir, no Contrato Social da empresa, qual será o modelo e as cotas para cada um dos sócios. Esse documento merece atenção, pois é por meio dele que se torna possível definir quais são os direitos e deveres de cada um.

Ter essas definições acertadas é fundamental, principalmente, porque cada sócio terá seu percentual de responsabilidade sobre o negócio e estará consciente sobre o seu papel para fazer a empresa dar certo. Afinal, caso contrário, os prejuízos também serão divididos.

Definir a sociedade é um dos pontos mais delicados, pois envolve confiança entre as partes. Isso porque todos trabalharão em conjunto para um prol maior, e quando há problemas nesse quesito, as relações entre as partes podem se desgastar com o tempo.

Nesse contexto, escolha pessoas que, além de inspirarem confiança, estejam motivadas a se especializarem na área de atuação do seu negócio e fazê-lo crescer. Muitas pessoas escolhem amigos ou familiares, contudo, em alguns casos, são pessoas que têm uma maior dificuldade para lidar com o ambiente empresarial.

É fundamental promover um ambiente de comunicação clara, direta e sem conflitos entre os membros. Afinal, os proprietários do negócio precisam estar em sintonia sobre os objetivos para médio e longo prazo acerca do negócio. Assim, evita-se que um deles saia da sociedade precocemente, o que, por um período, pode gerar uma instabilidade indesejada.

Para aqueles que desejam empreender sozinhos, uma opção é contar com o tipo societário EIRELI (Empresa Individual de Responsabilidade Limitada), no qual um indivíduo é o único proprietário. Essa opção está disponível desde 2011 e permitiu que não fosse mais necessário buscar por “sócios fantasmas” para compor o quadro societário dos negócios.

Quais são os principais custos para iniciar e manter um negócio no Brasil?

Diferentemente do que muitos acreditam, abrir uma empresa no Brasil não é tão oneroso. A depender da modalidade de negócio, não é necessário o pagamento de nenhuma taxa ou valor para a sua formalização.

No entanto, passada a fase de abertura da empresa, é preciso ter ciência de que alguns custos surgirão. Então, é fundamental conhecê-los:

  • custos fiscais — envolve os tributos incidentes sobre as atividades da empresa cujos valores podem variar de um estado para outro e, ainda, em razão da atividade do negócio. Nesse ponto, tributos como ISS, ICMS, IPI, PIS, COFINS, além do IRPJ e CSLL, devem compor os cálculos do empreendedor;
  • capital social — toda empresa necessita de um investimento inicial mínimo para materializar suas atividades, como a compra de insumos, equipamentos e contratação de pessoal;
  • capital de giro — a empresa também necessita arcar com custos operacionais para se manter em atividade. Logo, é preciso reservar uma parte dos recursos para suprir custos com matéria-prima ou mercadorias, além daqueles relacionados à estrutura física do negócio, como aluguel, energia, água, telefone, serviços etc.;
  • folha de pagamento — quando a empresa inicia suas atividades com uma equipe de colaboradores, é necessário considerar os custos da folha de pagamento, incluindo os respectivos tributos. Esse, inclusive, pode ser um dos custos mais altos para se manter um negócio;
  • regime tributário — independentemente se a empresa será enquadrada no regime do Simples Nacional, Lucro Real ou Lucro Presumido, é imprescindível considerar os custos gerados por cada regime tibutário no dia a dia. Nesse ponto, vale mencionar que a legislação prevê benefícios a determinados regimes, como o Simples, que elimina uma série de tributos.

Qual é a diferença entre MEI e ME e quais são os seus custos?

Com o foco voltado para os custos de empreender, é importante ter em mente que um dos pontos que interfere nesse quesito é a forma jurídica da empresa. Isso porque a legislação brasileira estabelece diferenciações no tratamento dos negócios, sobretudo no que diz respeito à incidência e ao valor dos tributos cobrados. Um exemplo claro está na diferenciação entre o MEI e a ME. Confira!

MEI (Microempreendedor Individual)

O MEI é uma forma de o trabalhador informal, que atua por conta própria, regularizar-se perante o governo, passando a atuar como pessoa jurídica — o que o permite emitir nota fiscal e contribuir com a previdência.

Contudo, existem algumas condições a serem atendidas para que a empresa possa ser enquadrada nessa modalidade, como:

  • inexistir sócios e ter no máximo um colaborador;
  • previsão da legislação para que a atividade do empresário possa ser enquadrada;
  • o faturamento anual da empresa não pode ultrapassar R$ 81 mil — o que resulta em uma média mensal de R$ 6.750.

Ao se enquadrar como MEI, o principal custo do empresário é fixo, sendo relativo ao DAS (Documento de Arrecadação Simplificado), o qual reúne uma série de tributos em uma única guia de pagamento. O valor desse DAS varia conforme a atividade desenvolvida pelo microempreendedor.

ME (Microempresa)

A Microempresa é uma categoria estabelecida em legislação para os pequenos negócios que faturam até R$ 360 mil anualmente — o que corresponde a uma média de R$ 30 mil mensais.

Segundo a Lei Geral da Microempresa e Empresa de Pequeno Porte (Lei Complementar nº 123/2006), os empreendimentos que se encaixam como microempresa estão sujeitos a um tratamento diferenciado e mais vantajoso — preferência em licitações e possibilidade de optar pelo regime do Simples Nacional, por exemplo.

Quando aderente ao Simples Nacional e com um faturamento não superior a R$ 3,6 milhões, a ME fica isenta de impostos federais, o que reduz bastante os custos nessa modalidade. Porém, o recolhimento dos tributos estaduais e municipais permanece obrigatório.

Como reduzir os custos ao abrir uma empresa?

O primeiro passo é elaborando um plano de negócios. Esse documento se refere a um planejamento estratégico que considera todos os custos fixos e variáveis da empresa. Além de outros quesitos que podem interferir em suas atividades e orçamento, ajuda o empreendedor a ter uma maior visibilidade sobre a empresa e a tomar decisões de maneira consciente e econômica.

Além disso, a redução de custos passa por um acompanhamento ativo dos processos contábeis da empresa para não incorrer em erros, atrasos, multas e penalidades que possam prejudicar as finanças. Nesse ponto, inclusive, destacamos a importância do planejamento tributário, o qual leva em conta o tipo de atividade, o melhor regime de tributação, entre outras variáveis.

Por fim, ressaltamos que uma boa gestão, aliada a controles eficientes, é a principal responsável pela redução dos custos dentro de uma empresa, independentemente de seu porte. Por essa razão, seguir pelo caminho das inovações tecnológicas também é uma estratégia eficiente para a minimização de gastos.

Hoje, softwares e soluções informatizadas são capazes de automatizar uma série de processos burocráticos e repetitivos, permitindo que pequenos negócios consigam imprimir um alto rigor em suas atividades, reduzindo erros e desperdício de recursos — além de não sofrerem com a desorganização de dados e informações, ativos fundamentais para os empreendimentos modernos.

Tecnologias como o Certificado Digital colocam a empresa na era digital, eliminando custos com expedientes manuais, autenticações mecânicas de documentos e o uso de papel. Além disso, reforça a segurança da informação, facilita o cumprimento de obrigações perante o Fisco e otimiza a comunicação no dia a dia ao possibilitar o uso de documentos em formato digital, de autenticação eletrônica e da assinatura eletrônica.

Desse modo, como vimos, os custos de empreender estão em diferentes pontos dentro de um negócio. Por essa razão, ter uma boa documentação e organização é indispensável para manter todos os gastos visíveis e controlados ao abrir uma empresa.

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